A verdade é que sou a interseção do etéreo e do escatológico — uma coisa etéreológica, parida pela prosa caótica e grávida de neologismos.
James Joyce de buceta.
Mad maximizo qualquer indício de fúria social porque tenho um ímpeto transgressor sintomático, efeito colateral de uma personalidade limítrofe que insiste em dinamitar tudo. Enfant terrible. Sou a transgressão mas também a punição, porque sempre fui minha mãe e meu pai e não há nada que o mundo possa fazer para mudar isso. (ferida remendada com um band aid da hello kitty que colei sozinha mas que na verdade continua aberta e sangrando todos os dias)
Pratico um auto-terrorismo diário e como se não bastasse o espelho que me olha com desdém, absolvo os crimes dos meus semelhantes e dou prisão perpétua aos meus, porque venero a alteridade. Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Sinto abalos sísifos e vivo em um eterno delírio lisérgico (mas pragmático), que se assemelha a uma paranóia no escuro de Beckett. Minhas sinapses ácidas produzem lapsos sulfúricos, todos voltados contra mim. Quero ampliar a sordidez e destruir todos os bálsamos. Macular a lucidez e desafinar o coro dos contentes. Meu âmago ao avesso me afina com a dissonância do mundo. Minhas vértebras vibram e me trazem epifanias febris de todo esse acúmulo de máculas mosaicos de insanidade. Narcótica-existencial, psicótica-visceral. Sou a caixa torácica despedaçada e a carne rasgada porque sou Adão mas também a costela arrancada porque simultaneamente sou Eva. Existência feérica feroz, órfã de um mundo que eu mesma inventei. Sou o caco de vidro na minha mão e também a cicatriz. Sou o predicado da catástrofe que eu mesma causei.
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