Jesus Cripto

incessantes outdoors incendeiam a acrópole

aniquilam o ócio ocidental

civilidades colapsadas, pedestres pederastas

e algozes algorítmicos inundam os olhos rasos


vitrines vitrais é a iconoclastia incendiária

do bug big bang de futuro milenar


fundamentalistas futuristas

empenham fuzis espiritualistas

protagonizam crimes cinematográficos 

em nome de divindades dinamitadas


uma perseverança perversa

tenta adiar o apocalipse

                                      now

flutua nos barcos 

em meio à desértica decadência
da moral ocidental


todo destino manifesto
é uma migalha de desespero
todo american dream
é um caco do world centro



penitentes inválidos em vales de cilícios
inutilmente fogem
do céu que desaba sobre nós


liturgiam jesus cripto
no paradoxo do culto ao capeta-capital.


penso nas crianças mudas telepáticas

nos incorpóreos mísseis e nas névoas fatais


sofro brutalmente
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abaixo do meridiano
arranho-céu com as mãos atadas
rompo com a barbárie em escala industrial



todo morto na trincheira
era um revólver revolucionário

mas toda pausa—palavra
é uma beleza bélica

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