Estou virando, definitivamente, um corpo sem órgãos. A cabeça eu perdi em um lugar desconhecido, há muito tempo. Os pés não sinto mais, depois de muito caminhar em uma estrada errante. Os pulmões tive que abdicar, já que estraguei fumando muita coisa de procedência duvidosa. Os rins voltaram-se contra mim e agora, ao invés de remover, produzem substâncias tóxicas, regulando esse meu desequilíbrio crônico. O coração é partido, fragmentado mesmo, assim como meu psiquismo. Já a buceta, dei tanto que não sobrou nada pra mim. E o cu deixei em uma esquina, na madrugada de uma sexta-feira qualquer.
Assim, aos poucos, vou largando tudo. Praticando a arte do desapego e removendo qualquer vestígio de integridade que algum dia possuí.
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