Sou uma pessoa tóxica.
Meus relacionamentos, todos falidos, denunciam que sou uma criatura sórdida e narcótica, feita com materiais biodegradantes e com uma personalidade biodesagradável. Eu, uma pessoa tóxica e vil, fui forjada nas profundezas do reator 4 de chernobyl, em meio a fissuras de nêutrons, partículas descontroladas e toxinas devastadoras. Meu plasma, ao invés de proteínas, transporta cianeto e mercúrio, levando-os para o cérebro e degenerando-o, resultando em súbitas sinapses de uma subjetividade abjeta. Sou uma pessoa péssima. Meu corpo é uma usina de veneno que transborda negatividade por onde passa, sendo a face do niilismo que cospe no otimismo. Carrego o ímpeto antropofágico de alguém que habita os escombros do capitalismo e vive em trincheiras emocionais bombardeadas, devorando vorazmente tudo ao seu redor. Sou uma bricolagem corpórea de substâncias perecíveis feita de detritos divinos. Acumulo desejos etéreos de que algum dia meu veneno encontre a cura do mundo e que eu me transforme em antídoto. Pois quando penso nas dádivas da degradação, agradeço ao destino por ser um dejeto do paraíso.
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