Labiríntico delírio de psicose mal amalgamada

lâmina luminescente, ferida fúcsia.

hoje eu olhei pro meu pulso e quis me lapidar.

mas a navalha falha.

diamante dinamitado,
pedra bruta fragmentada.
sou o superego cindido
em cacos de topázio.

estilhaços.

o meu corpo é um caleidoscópio mutilado.
minhas veias, circuitos com cicuta.
meu fígado, uma fissura da infância
e meu inconsciente um labiríntico delírio de psicose mal amalgamada.

você vê? eu estou sangrando metáforas
feito fio desencapado faiscando na chuva.

porque toda vez que me olho sou uma oferenda herege,
iconoclastia incendiária.
rachadura no teto da capela sistina.

como o prego na cruz,
mas também a chaga de cristo.
como ferida profana,
que é fêmea hemorrágica.
lama de vermelho.

coisa de puta.
com esse gozo exponencial
e útero de amor infértil.
entorpecida por éter erótico
e cristais de cocaína
feito poesia cáustica que desce rasgando
em uma angústia antropofágica que corrói por dentro.

messias do próprio surto
que cartografa a própria ruína.


e hoje, quando olhei pro meu pulso, eu quis me lapidar.


mas o pulso ainda pulsa.


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